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| Rogéria Gomes no comando da "Alerj Revista" Crédito: divulgação |
Com formato sonoro que mistura cultura, entretenimento e prestação de serviço, o “Alerj Revista” também pode ser apreciada via internet.
Desde o segundo trimestre de 2025, a apresentadora, pesquisadora, diretora e escritora Rogéria Gomes (que neste ano completa 35 de carreira) tem entrado na casa dos telespectadores com um programa que entrega não só entretenimento, mas também um formato televisivo ímpar. No comando do “Alerj Revista”, exibido pela Alerj TV via Net (canal 12) e em UHF (canal 10.2), os artistas podem expor seus projetos numa TV institucional, algo bastante abrangente na televisão aberta. O programa também pode ser apreciado no canal da emissora no Youtube. Rogéria, que já comandou projetos inesquecíveis na telinha, é também autora do fantástico livro “As Grandes Damas e um Perfil do Teatro Brasileiro” (editora Tinta Negra) lançado há mais de uma década, ainda assunto pelo país fora e que segue à venda nas livrarias principais. Confira a entrevista que ela concedeu ao nosso portal!
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| Capa do livro "As Grandes Damas e um Perfil do Teatro Brasileiro" Editora Tinta Negra |
Você é bastante conhecida no cenário artístico pelo belo e importantíssimo livro “As Grandes Damas e um Perfil do Teatro Brasileiro”. Como surgiu a ideia e quais foram os resultados que a obra trouxe para você e as grandes damas da nossa dramaturgia?
Vou falar um pouquinho antes da ideia em si. Eu sempre fui apaixonado por teatro. Desde a minha primeira infância eu frequentava teatro com minha mãe, que também era assidua e gostava muito. O teatro está nas minhas melhores memórias afetivas e fez parte da minha vida desde criança. Adiante, já professora universitária do curso de comunicação social em minhas aulas trazia textos e reflexões sobre dramaturgia brasileira. Nessa época eu já comecei a pesquisar sobre o assunto, e constatei o total desconhecimento dos alunos sobre a dramaturga brasileira e, sobretudo, sua importância histórica. Nesse momento, comecei a entender que deveria fazer algo a mais. E assim surgiu o livro. Desde o início, com o propósito de que o livro e a história do teatro brasileiro chegassem aos bancos escolares, o que continua fazendo até hoje por meio de projetos e palestras. E frente a essa realidade, implantei como parte das avaliações idas ao teatro com as turmas e posterior debate em aula. Tínhamos também conversas com elenco após as sessões. Um período que considero valioso. Poucos se dão conta da importância do teatro brasileiro para a história do país. Sem dúvida, os resultados para mim foram extraordinários, até porque o livro fez um caminho que não esperava. Teve repercussão internacional e inúmeras participações em ambientes literários e teatrais que seguem até hoje. Foi muito além da proposta inicial. Para as atrizes, acreditamos que ter o nome e a história registrada é sempre importante, pois fazem parte da história viva do teatro no Brasil.
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| Lançamento do livro Da esq. para a dir.: Eva Todor, Ruth de Souza, Rogéria Gomes, Norma Blum e Bibi Ferreira. Crédito: divulgação |
Em referência ao livro, surgiu outro projeto, o “Conversa com Autor”. Sabemos que a mídia é bastante tímida quando o assunto é uma escrita criativa. Qual é a importância em ceder espaço para a dramaturgia no geral?
O teatro brasileiro tem um papel decisivo e fundamental na construção histórica do nosso país, da nossa cidadania. Infelizmente, sabemos um pouco, por desconhecimento mesmo. Outras fazem questão de 'não saber', rs. Precisamos criar espaços em todas as possibilidades. A dramaturgia precisa estar no ambiente escrito, falado, nas rodas de conversa, no cotidiano, no campo das ideias, nas escolas, em circulação constante. Nosso papel é continuar lutando e vencendo em todas as portas possíveis, criando espaços.
Em sua opinião, qual é a verdadeira importância do teatro no Brasil e sua extensão à sociedade como um todo?
Totalmente absoluto! Fazemos ao teatro um capítulo importante que não se refere à democracia brasileira. O teatro teve papel decisivo nesse momento histórico de extrema relevância para o país. Pouco se fala e se confirma esse fato. precisamos continuar falando sempre. Não podemos retroceder, lembrando e afirmando essa realidade, sobretudo, em tempos tão estranhos, onde a democracia volta a ser ameaçada. Não à toa, em qualquer regime de exceção, a arte e a cultura são as primeiras a serem atacadas e cerceadas. Não me refiro à concordância com tudo o que é realizado. Existem trabalhos executados obviamente, mas o direito de realizá-los é o princípio básico da construção do pensamento, da reflexão e da liberdade. É preciso prezar pela liberdade de pensamento e de expressão. Esse é o bem maior de uma nação, de cada um de nós. Um direito conquistado com muita determinação e persistência. A história está aí para provar. Cada um é capaz de julgar o que considera bom ou ruim para si. Julgamento de valor é pessoal. Precisa ser pessoal. Não podemos impor nada. Ninguém tem esse direito. O teatro é e sempre será o espaço de todas as falas. Cada país se apresenta pelo teatro que representa, já dizia Paschoal Carlos Magno, um dos nomes mais reverenciados do teatro nacional.
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| Lançamento do livro. Rogéria Gomes e Fernanda Montenegro Crédito: divulgação |
Por esses tempos fui assistir ao espetáculo “Tom na Fazenda” e o Babaioff contorno ao final da peça o quanto os europeus gostam do nosso teatro. Temos realmente um jeito próprio de mapear as artes cênicas no palco?
Sim, acredito que temos. Acredito que o diferencial seja a criatividade. O ator brasileiro é forjado, muitas vezes, na impossibilidade, pois ainda somos um país de pires na mão para a maioria das produções artísticas, especialmente o teatro, e sobretudo, para produções menores sem nomes reconhecidos no elenco, como também, para os amadores que, aliás, devem ser considerados. Evidente que vem melhorando, mas ainda está aquém do que deveria. Os fomentos e as leis de incentivo ajudam muito, são sempre muito bem-vindos, mas não alcançam a todos. Isso também acontece com os dramaturgos e outros profissionais. Vivemos, na maioria das vezes, fazendo limonada com o limão que temos. No campo de atuação, por exemplo, hoje a maioria dos jovens chega ao mercado muito bem preparada, o que é maravilhoso. Daí a importância de projetos culturais para estudantes e pessoas em vulnerabilidade social.
Na capital paranaense temos o lendário “Festival de Curitiba”, com ingressos esgotados antes mesmo de o evento começar. Em sua opinião, o jovem está procurando o teatro ou há um afastamento no geral, como vem ocorrendo com a TV aberta?
Começo essa resposta aplaudindo o Festival de Curitiba que de fato é um marco importante para o teatro. Acredito sempre no poder do humano. O teatro é isso. Razão que atribui a procura do público pelo teatro. Aqui no Rio tivemos a iniciativa da produtora Aventura com a realização do primeiro Festival de Teatro com experiência semelhante. Quase um mês de programação com ingressos esgotados, teatro lotado. Creio que os jovens estão mais presentes ao teatro, não com o alcance que deveria, ainda temos muitas questões de acesso, falta de conhecimento, de incentivo, entre outros aspectos, mas há um avanço, a meu ver. A TV especificamente tem competição com outras mídias, que para os jovens é mais atrativa, uma linguagem mais dinâmica. Talvez explique esse fato. Mas não acredito no desuso da TV aberta tão cedo. Há uma população imensa que consome. Sem contar que é uma fonte de trabalho artístico muito específica e válida.
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| Da esq. para a dir.: Rogéria Gomes, Gabriel Moura, Dra. Margareth Dalcolmo e Ruy Castro. Crédito: divulgação |
Como é a sua rotina no programa “Alerj Revista”, pois além de apresentá-lo, você ainda assina o roteiro?
Intensa, rs! Elaborar um programa de entrevistas não é algo simples, a começar pela curadoria que fazemos dos assuntos e, consequentemente, dos entrevistados. Recebemos muitas solicitações de entrevistados, ficamos gratos porque significa interesse pelo trabalho, mas precisamos ter o cuidado e atenção nas escolhas para tornar um bom programa que o público tenha interesse e atenção. Trabalhamos uma semana inteira para cada programa. Além da escolha de temas e convidados, há um trabalho de pesquisa, produção, roteiro e edição. Aproveito para destacar o excelente trabalho dos editores, em especial de Eduardo Negri, que finaliza comigo o programa, não só pela capacidade técnica como a sensibilidade.
Seguindo nossa rotina, a partir da definição da pauta, em nossa reunião de equipe, priorizamos o roteiro com maior rigor possível. Felizmente, trabalho com uma equipe alinhada e interessada, a gente segue na mesma frequência, buscando sempre entregar o melhor. Nos dedicamos bastante. E para nossa alegria, recebemos um retorno muito favorável.
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| Rogéria Gomes nos bastidores do programa "Revista Alerj" |
Qual é a proposta principal do programa e como as pessoas que não são do estado do Rio de Janeiro podem assisti-lo?
Nossa proposta é fazer um programa diverso priorizando a cultura. Esse é o mais principal. Temos pouco espaço para divulgar a cultura de forma geral, então o “Alerj Revista” procura ocupar esse espaço, principalmente, nas atividades culturais menos glamorosas e tão incríveis que temos a oferecer, em especial no Rio de Janeiro. Há uma diversidade imensa e propostas incríveis que não têm muito espaço na mídia. Ficamos atentos a isso, mas contar obviamente com artistas consagrados é maravilhoso para o programa e são sempre muito bem-vindos. É gratificante e honroso contar com a participação de artistas e personalidades recebidas no programa.
Além disso, procuramos o máximo possível, temas que ofereçam algum tipo de serviço e informação relevante à sociedade. O programa é exibido no Rio de Janeiro e Grande Rio via Net, canal 12, também em UHF, canal 10.2 e pelo Youtube.
A televisão, no geral, tem apresentado muitos formatos iguais de programas, sejam eles de variedades ou entrevistas. O seu, no entanto, é considerado um “respiro” na televisão brasileira. Por qual motivo?
Fico muito feliz e lisonjeada com sua observação! Acredito que seja pelo que comentei acima, por nosso interesse no diferente, mas com foco no “comum”, que não significa banal, e sim em propostas que tragam informação e serviço, além de divulgar a cultura da forma mais ampla e diversa possível. Oportunizar a multiplicidade de assuntos e propostas e contar com assuntos relevantes solicitados.
O “Alerj Revista” está completando 9 meses. O que vocês têm feito para que ele fique no ar por muitos e muitos anos?
Penso em priorizar as 'boas pautas', assuntos e pessoas interessantes que tenham algo diferente e útil, e claro, tudo isso embalado com a cereja do bolo, a cultura. E estar com radar ativado.
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| Rogéria Gomes e Danielle Barros, secretária de Cultura do Rio. Crédito: divulgação |
Como sente os 35 anos de profissão?
Na verdade, parece que foi ontem. Às vezes nem acredito que já passou tanto tempo. Mas quando fazemos o que gostamos e escolhemos, todo desafio se torna oportunidade.
Passei por diversos veículos de comunicação, já fiz quase tudo dentro do segmento do jornalismo que escolhi trabalhar. Me especializei em jornalismo cultural, mas atuei em outras áreas, o que foi muito importante para minha formação. Escrevi em impressos, em várias revistas, algumas já nem existem mais, rs. Fiz assessoria de imprensa, entre outros. Hoje escrito em veículos digitais, apresento programa de rádio, o "Teatro em Cena", na rádio Roquette Pinto, já com 15 anos no ar, e o "Alerj Revista", além de roteiros, direção e pesquisa em dramaturgia brasileira.
Acho que venho percorrendo um caminho de persistência e dedicação. Tô feliz e procurando entregar o meu melhor. Ainda não penso em parar, rs. Gratidão é o sentimento!
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| Rogéria Gomes ao lado do cantor e do ator Cláudio Lins. Crédito: divulgação |
Quais são os projetos para este ano de 2026?
Lançar meu novo livro, que está em fase final de negociação com a editora, novas pesquisas para outros livros, dirigir e escrever mais para teatro, estrear os espetáculos que estou finalizando, que inclui um lindo e diferenciado projeto social e seguir aprimorando cada vez mais o "Alerj Revista" que tem me dado alegria e prazer. Gosto muito de ser jornalista, esse é o lugar que escolhi para contribuir, é meu lugar de expressão, assim como o teatro, minha outra paixão. Nele eu me completo como pessoa e profissional.
Aproveito esse espaço tão gentil e generoso para agradecer, em primeiro lugar a Deus por tudo, aos meus pais pelo amor, dedicação, o compasso e régua, à direção da TV Alerj, Luciano Silva, que tem sido parceiro de nossas ideias, à toda equipe técnica e criativa da TV, à minha equipe direta, a quem sou imensamente grata, aos nossos parceiros e aos amigos que torceram pelo meu retorno à TV. Caminhar de mãos dadas faz toda diferença. É nisso que eu acredito e aposto. Não posso deixar de mencionar minha imensa gratidão aos meus filhos que sempre estão em apoio e incentivo. E a você por esse espaço importante e afetuoso com nosso trabalho.
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| Rogéria Gomes e Jonas Bloch Crédito: divulgação |
Saiba mais sobre a Revista Alerj visitando o Instagram Oficial do programa: @alerjrevista !









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